Ambev tem até abril para dar início às negociações com trabalhadores

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Ambev tem até abril para dar início às negociações com trabalhadores


Por melhores condições de trabalho e piso salarial nacional de R$ 1.500, categoria volta a pressionar patrocinadora da Copa do Mundo. Reivindicação envolve cerca de 32 mil trabalhadores no País 


Por Clarice Gulyas

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) realizou nessa quarta (27/3), o 2º Encontro Nacional dos Trabalhadores da Ambev, em Brasília (DF). Na ocasião, representantes de pelo menos 12 entidades sindicais da categoria, com participação da Regional Latinoamericana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Rel-UITA), aprovaram o prazo de até o mês de abril para que a Ambev abra negociação. Caso contrário, a CNTA Afins não descarta possibilidade de greve. Trabalhadores também ameaçam lançar campanha de boicote aos produtos da companhia, também presente em outros 13 países.

De acordo com o presidente da CNTA Afins, Artur Bueno de Camargo, esta é a segunda vez que a entidade busca a abertura de diálogo com a Ambev, em luta iniciada em 19 de fevereiro, após realização do primeiro encontro nacional. No último dia 17, a Ambev, por meio de ofício endereçado à CNTA Afins, afirmou que “está aberta ao diálogo com sindicatos, federações e confederação, porém sempre de maneira individualizada” por acreditar que “essa é a melhor maneira de assegurar o tratamento das peculiaridades locais das negociações junto aos sindicatos e trabalhadores”.

“Mais uma vez nós vamos dar a oportunidade para que o representante da Ambev possa abrir negociação, para que possamos buscar uma solução aos problemas apresentados pelos dirigentes sindicais. Por meio de ofício protocolado após o encontro, indicamos o dia 15 ou 16 de abril para reunirmos.”, comenta Bueno.

“Esperamos que eles (empresários) atendam nossas reivindicações. Se não houver essa vontade por parte da Ambev, nós podemos iniciar uma grande mobilização nacional e não está descartada a possibilidade de greve, assim como também a possibilidade de começarmos uma campanha de boicote aos produtos da Ambev.”, defende o presidente da CNTA Afins.

Reivindicações

Sem avanços nas negociações individuais, sindicatos e federações reivindicam, entre outros pontos, implantação de cestas básicas ou vale-compras, participação do trabalhador no plano de saúde com valor fixo, unificação de data-base, mais transparência e participação dos sindicatos na construção do programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além do piso salarial nacional de R$ 1.500, e respeito as decisões das assembleias dos trabalhadores.

Risco de demissões e apoio internacional

Para a CNTA Afins, os trabalhadores não devem temer represálias ou demissões após a abertura de negociações. Segundo Artur Bueno, a principal preocupação dos trabalhadores é em relação aos acidentes e doenças ocupacionais, sobretudo, práticas de assédio moral, incentivadas por programas que estimulam a competição entre as fábricas e também com metas inatingíveis de produção. “Não tememos demissões até mesmo porque hoje a Ambev é um dos principais grupos que tem mais trabalhadores pedindo demissão e isso, para nós, significa que o ambiente e as condições de trabalho não são favoráveis.“, afirma.

Na ocasião do encontro nacional, o secretário da Regional Latinoamericana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Rel-UITA), Gerardo Iglesias, reforçou o apoio internacional à CNTA Afins e afirmou que a mobilização pode ser ampliada para países como Canadá e Estados Unidos. Gerardo também criticou a falta de liberdade sindical no Brasil e o crescente número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

“Em muitos países da America Latina, o sindicato está dentro da fábrica e consegue controlar as situações nas empresas, e ser um agente para melhorar as condições de trabalho e é isto o que avaliamos que falta nesse país. O trabalho do sindicato é imprescindível, mas para o desenvolvimento do trabalho sindical não necessitamos de ferramenta, mas de liberdade sindical, e nesse país falta muito o que avançar nesse tema. Essa falta de democracia tem muita relação com a precariedade do trabalho”, critica.

Números alarmantes

O Brasil possui atualmente 144 mil trabalhadores no setor de bebidas, sendo São Paulo o principal Estado em número de trabalhadores, com 33 mil; seguido por Rio de Janeiro (15 mil) e Pernambuco (11 mil). A exemplo do trabalho realizado pela CNTA Afins no setor frigorífico, entre 2004 e 2014, que resultou na recente conquista da Norma Regulamentadora n° 36 (NR36/2013), a entidade quer discutir melhorias para o setor de bebidas e combater o alto número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

De acordo com dados do Ministério da Previdência Social (MPAS), entre 2010 e 2012, foram registrados 16.848 acidentes no setor, com 42 mortes no mesmo período. Já o número de auxílios-doença acidentários concedidos entre 2010 e 2012 foi de 928. Só em 2013, entre janeiro e outubro, 316 trabalhadores do setor receberam o benefício.

Apesar da redução do número de acidentes e de óbitos no setor, a média anual ainda é considerada alarmante pela CNTA Afins. Em 2010, 6.144 acidentes foram registrados (com 17 mortes). Em 2011, esse número foi de 5.634 acidentes (e 14 mortes), contra 5.070 acidentes e 11 mortes em 2012. A maioria dos acidentes são registrados durante a fabricação de refrigerantes e de cervejas.

VÍDEOS

CNTA ameaça greve e boicote aos produtos da Ambev 
https://www.youtube.com/watch?v=ZSmsrljrlsE&feature=youtu.be

UITA apoia pressão dos trabalhadores da Ambev no Brasil 
https://www.youtube.com/watch?v=JqHa3rAtdRY

Representante dos trabalhadores da Bahia denuncia problemas na Ambev
https://www.youtube.com/watch?v=0orWUqMBVgs&feature=youtu.be 
Representante dos trabalhadores da Ambev na Argentina apoia mobilização da CNTA no Brasil 
https://www.youtube.com/watch?v=roSrtE8Ylxw&feature=youtu.be


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