Brucelose humana em frigoríficos mobiliza sindicatos nos conselhos de saúde

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Brucelose humana em frigoríficos mobiliza sindicatos nos conselhos de saúde
 
Importância da participação do movimento sindical nos conselhos municipais, estaduais e nacionais de saúde é tema de conferência realizada em Brasília
 

 
 
Por Clarice Gulyas
A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) participou nos dias 18, 19 e 20 de março da 1ª Conferência Livre de Saúde do Trabalhador, em Brasília. O evento foi realizado pelo Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), que congrega cerca de 20 confederações nacionais de trabalhadores de diversas categorias profissionais. Constatação de brucelose humana em frigoríficos do Paraná (PR) preocupa trabalhadores do setor, que somam 440 mil no Brasil. O Estado do Paraná ocupa o primeiro lugar no ranking nacional em número de trabalhadores, com 76.375 pessoas. Esse número representa 17,3% do total, seguido por São Paulo (63 mil), Santa Catarina (57 mil) e Rio Grande do Sul (54 mil).
 
Com debates de temas que guiarão as conferências municipais e estaduais preparatórias para a 15ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), previstas para abril desse ano, o evento incentivou a participação do movimento sindical nos conselhos de saúde. Para o presidente da CNTA Afins, Artur Bueno de Camargo, o encontro proporcionou maior entendimento do funcionamento e formas de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), dos acidentes nos locais de trabalho e do que o movimento sindical pode fazer para melhorar o SUS.
 
“Percebemos que de forma geral, a saúde tem piorado, principalmente dentro das empresas porque a cada momento que as empresas colocam máquinas mais velozes, de alguma forma, obriga o trabalhador a trabalhar numa rapidez maior e isso acaba causando doenças ocupacionais, como as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e o Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT) nos frigoríficos. Outro ponto em relação aos acidentes de trabalho, na maioria das vezes os trabalhadores não tem treinamento suficiente para que eles possam realmente operar aquelas máquinas que, além de muito perigosas são muito velozes”, avalia Artur Bueno, que destaca a dificuldade de afastamento de trabalhadores com estas e outras doenças pelo SUS.
 
Outra preocupação da categoria é em relação à brucelose humana em frigoríficos. A doença é transmitida dos animais (bovinos, suínos, caprinos) para o ser humano, geralmente, quando em contato direto com animais doentes ou após a ingestão de carne mal passada, leite não pasteurizado e consumo de produtos lácteos contaminados. 
 
“No setor frigorífico, os principais infectados ocupam atividades na matança e manuseio do produto, no entanto, até mesmo um eletricista de um frigorífico da região do Paraná foi diagnosticado recentemente com a doença, que tem como sintomas principais o cansaço, dores no abdômen e nas costas, calafrios e fraqueza. Doenças psicológicas como ansiedade generalizada e acidentes como quedas, cortes, intoxicação por gás, queimaduras, lesões, fraturas, mutilações de mãos e braços, depressão, entre outros também ameaçam a saúde dos trabalhadores no Brasil”, afirma Bueno.
 
Combate à brucelose
 
Foi justamente por participar ativamente do Conselho Municipal de Saúde em Maringá que Roberto Pino de Jesus, diretor tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Maringá e Região (PR) conseguiu o diagnóstico e a comprovação de 58 casos da doença em um único frigorífico da região. Ele comenta que os trabalhadores do setor muitas vezes são “invisíveis” quando do ponto de vista médico, mas que isso pode ser revertido com participação do movimento sindical.
 
“A nossa ação perante o conselho nos ajudou e muito a levantarmos o problema e, inclusive, no Estado do Paraná nós conseguimos um protocolo de saúde para que o SUS pudesse atender o trabalhador de frigorífico de uma forma especial. De modo geral, os médicos dificilmente perguntam o que o trabalhador faz. Mas com nossa participação no conselho municipal, hoje, nós temos a metade dos exames básicos do município com um protocolo que obriga o médico a perguntar o que o trabalhador faz”, conta.
 
“Mas se nós não tivéssemos uma participação mais firme dentro do conselho, com certeza os resultados não teriam surgido. E conseguir esse protocolo de atendimento para nós foi de extrema importância. Eu, que já participei de diversas conferências municipais, não só na área do trabalhador, acho que o movimento sindical precisa ajudar a erguer essa bandeira de luta, que está um pouco esquecida, para que possamos realmente fortificar o SUS. É o SUS quem atende e resolve os problemas de saúde não só dos trabalhadores, mas de todos nós.”, incentiva Roberto Pino de Jesus.
 
Dever de casa
 
Para o presidente do FST, Lourenço Ferreira do Prado, o evento atingiu a expectativa da entidade organizadora e que foi possível “verificar uma série de mazelas que existem na prestação dos serviços de saúde através do SUS e em relação a população em geral que sofre com esta questão como um todo”.
 
“Na verdade, nós chegamos a conclusão de que temos que cuidar mais dos municípios porque é lá que realmente acontecem as coisas. Nós, do movimento sindical, estamos conscientizando todos nosso companheiros e companheiras, no sentido de incentivar cada vez mais a participação dos sindicalistas nos conselhos municipais de saúde para que se comece nos municípios a controlar o dinheiro e fazer com que esse dinheiro realmente atinja seus objetivos, sendo aplicado naquilo que sirva para a verdadeira assistência à saúde dos trabalhadores e não simplesmente correr quando há necessidade proveniente de doença.”, diz Lourenço.
 
“O debate sobre a participação do movimento sindical na questão da saúde como um todo está vindo com um atraso de mais de dez anos. Entretanto, apesar do atraso é oportuno e necessário que enfrentemos isso o que estamos fazendo aqui hoje. A ideia é fazermos um trabalho de conscientização do nosso pessoal para que participem dos conselhos municipais de saúde e, consequentemente, a gente possa melhorar a qualidade da saúde prestada aos nossos trabalhadores e seus dependentes.”, afirma. 
 
O financiamento do SUS e o fortalecimento da participação social na Saúde foram os temas das palestras de Ronald Ferreira, conselheiro do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e Coordenador da COFIN e Saúde Mais 10); e de Joana Batista de Oliveira Lopes, pós-graduada em Odontologia do Trabalho, sexualidade humana e professora de Saúde Pública, titular do CES-PB e CMS-PA/PB). Outros palestrantes da 1ª Conferência Livre de Saúde do Trabalhador foram Marco Antonio Gomes Perez, diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência Social; Rinaldo Marinho Costa Lima, diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); e Jorge Mesquita Huet Machado, coordenador Geral de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.
VÍDEOS:
Denúncia‬: Sindicato denuncia brucelose em trabalhadores em frigoríficos do Paraná
https://youtu.be/yjc6NAtMyuk
 
FST: Lourenço Ferreira do Prado comenta Conferência https://youtu.be/vb21w34w1wY
 
CNTA Afins: Artur Bueno de Camargo comenta participação na Conferência Livre de Saúde do Trabalhador https://youtu.be/yY_VvotRGsQ
 
CNTA Afins questiona contratação direta de médicos do Trabalho por empresas privadas https://youtu.be/wVgYzV7j_hU
 
Dr. Rinaldo Marinho Costa Lima
Diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
https://youtu.be/IwrZemjchJk
 
Dr. Jorge Mesquita Huet Machado
Coordenador Geral de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde
https://youtu.be/H5Uiy9sS5Y4
Crédito: Clarice Gulyas / CNTA Afins
 
Mais informações: www.cntaafins.org.br
 
 
Assessoria de imprensa da CNTA Afins
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